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30/03/2017

Baixa produtividade? O problema pode ser desmotivação

Mercado

Especialmente em momentos de crise, a falta de transparência ou de bons líderes podem gerar o desinteresse dos colaboradores, mesmo com salários interessantes

 

Por Kathlen Ramos

 

Diante da crise econômica e política do País, a atmosfera de incertezas também costuma tomar conta do ambiente de trabalho, e boatos nos corredores sobre o futuro da companhia e do emprego se tornam comuns. O pânico e o medo são situações que paralisam as iniciativas. E justamente diante da crise, que pede por empresas mais enxutas em número de colaboradores, essa reação é, justamente, o que a empresa não precisa.

 

E, nem sempre, o cenário é tão ruim como o que o colaborador imagina. O silêncio faz as pessoas conversarem entre si sem base para reflexão e, por vezes, pintam um cenário que é pior do que a realidade. Assim, a falta de transparência da empresa, nesta ou em outras situações, é o gatilho para a desmotivação e baixo rendimento.

 

A fim de evitar problemas como esses, a comunicação da empresa com o colaborador precisa ser clara e honesta. E mesmo que a situação esteja ruim, o melhor é deixar a equipe ciente desta fase e, junto com essa mensagem, mostrar quais são os planos para o futuro. Nesse momento, o líder tem um papel fundamental. A liderança deve mostrar que a crise precisa ser encarada como uma oportunidade e que todos devem sair da zona de conforto para que o negócio volte a crescer. Precisa-se reforçar que aquela é uma fase difícil, mas que todos serão vencedores quando o momento ruim passar.

Como as razões para a motivação são bastante individuais, também é papel do líder estimular os talentos de forma particular, pois nem sempre o salário é o fator mais importante. Alguns querem especialização, enquanto outros querem viver na empresa. O líder precisa entender isso e fazer com que o colaborador sinta que a organização trabalha para que esse objetivo seja alcançado.

Pelo mundo, são diversos os exemplos de companhias que estimulam seus funcionários das mais diversas formas, e se tornam referências de formas de motivação e reter talentos. No Walmart.com, por exemplo, há um espaço aberto, com cadeira confortável, onde qualquer funcionário, a qualquer hora do dia, pode falar com o CEO da empresa. O Google é outro exemplo. A fim de reter seus talentos, a empresa oferece uma série de vantagens, como alimentação gourmet gratuita, academia 24 horas, aulas de ioga e cabeleireiro no local do trabalho.

Acompanhe, a seguir, estratégias que podem ser utilizadas com sucesso:

- Tenha metas claras e objetivas: nelas, o líder apresenta onde a empresa pretende chega e em quanto tempo e, mostra, também, o papel e a importância de cada colaborador nesse processo.

- Desenvolva planos de ação com avaliação de desempenho: quando as pessoas se veem avaliadas e têm metas, tendem a apresentar uma melhor performance. Essa etapa também é importante para que os líderes mostram como o colaborador pode melhorar.

- Crie sentido e recompensas para as metas estipuladas: se o colaborador tiver problemas em se comunicar, por exemplo, mostre que, se ele for mais assertivo nesse aspecto, pode ter melhores resultados, inclusive, na vida pessoal.

- Facilite as formas de comunicação: mostre que a empresa tem um canal aberto, onde qualquer pessoa pode mostrar seus problemas. Reuniões curtas, realizadas semanalmente, por toda a equipe, criam a chances de se ajustar falhas e o funcionário se sente acolhido pela companhia.

- Trabalhe a confiança dos colaboradores: lembre-se que a motivação também envolve aspectos emocionais. Assim, desenvolver momentos sociais e mais informais entre os colaboradores, como almoços ou happy hours, ajudam nessa construção e criam-se laços. Quando a relação da equipe é saudável, o trabalho flui muito melhor.

Fontes: palestrante, psicóloga e consultora de recursos humanos, Meiry Kamia; sócio-fundador da Alliance Coaching, Silvio Celestino; e a especialista em desenvolvimento organizacional da IBE-FGV, Rita Ritz