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30/03/2017

Laboratórios batalham por antibiótico contra superbactérias

Mercado

Em um laboratório na zona rural da Pensilvânia (EUA), Neil Pearson, um químico de 54 anos de idade, que é membro sênior da gigante farmacêutica britânica GlaxoSmithkline, explica como passou mais de uma década fazendo experimentos com compostos químicos antes de criar uma molécula que pode render o primeiro antibiótico realmente novo do setor, em 30 anos, para combater o surgimento de superbactérias que poderão matar dez milhões de pessoas todo ano até 2050.

 

Reações adversas, como possíveis problemas oculares e cardíacos identificados em animais, forçaram Pearson a recomeçar do zero várias vezes; cada readaptação da estrutura atômica do composto exigiu uma nova rodada de testes para comprovar se ele era seguro e efetivo.

 

A indústria farmacêutica não cria um antibiótico totalmente original desde que a Eli Lilly & Co. descobriu a daptomicina em 1984, segundo a Pew Charitable Trusts. Nesse período, quase todos os grandes laboratórios fecharam suas unidades de pesquisa bacteriológica, o que reduziu o universo de especialistas.

 

Neste mês, a AstraZeneca se tornou a mais recente grande empresa farmacêutica a abandonar o ramo de desenvolvimento de medicamentos antibacterianos ao vender sua divisão de antibióticos à Pfizer.

 

A GlaxoSmithKline é um dos poucos grandes atores que se mantêm no ramo, tendo investido cerca de US$ 1 bilhão de dinheiro próprio em pesquisa antibacteriana ao longo da última década.

 

Pesquisadores da Universidade de Cambridge descobriram que um quarto de todos os frangos de supermercado vendidos no Reino Unido abrigam bactérias E. coli resistentes a medicamentos, que podem provocar insuficiência renal e, em casos severos, morte.

 

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos informaram o quarto caso no país de uma superbactéria que carrega o chamado gene mcr-1, que a torna resistente à colistina, o antibiótico usado como último recurso.

 

“A medicina de alta tecnologia enfrenta uma ameaça muito grande que poderia colocar tudo em perigo, das unidades de terapia intensiva às cirurgias mais importantes”, diz o professor de microbiologia médica da Universidade de East Anglia, no norte de Londres, David Livermore.

 

Apesar do surgimento das superbactérias, os grandes laboratórios abandonaram as pesquisas sobre antibióticos porque o lucro é muito baixo.

 

O tempo está terminando para os pacientes. A sépsis causada por bactérias resistentes aos medicamentos está matando mais de 56 mil recém-nascidos na Índia e quase 26 mil no Paquistão a cada ano, escreveram os pesquisadores Ramanan Laxminarayan e Zulfiqar Bhutta na revista científica Lancet Global Health.

 

Fonte: Exame