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05/10/2017

Baixa de preço pode acabar com o Farmácia Popular

Mercado

Governo paga até 38% menos aos varejistas

 

A proposta inicial do governo para renegociar os preços de medicamentos do Farmácia Popular deve resultar em uma redução média de 38% do que é pago hoje aos varejistas. Para especialistas do setor, se a queda de preços for implementada, o Programa chegará ao fim, pois os valores pagos atualmente já são baixos e estão no limite. Caso caiam mais, darão prejuízo, e as empresas não vão vendê-los.

O corte também afeta a indústria, pois o Ministério da Saúde (MS) ressarce as lojas com um valor fixo por medicamento, e elas buscam fornecedores que vendem abaixo disso. "Foi o início da discussão, as negociações continuam", considera o diretor da área farmacêutica do MS, Renato Teixeira Lima. A proposta é baseada em valores de mercado. "Ao preço médio de venda da indústria, somamos 30% de margem do varejo e 5% de taxa de logística, que é o usual", diz.

Essa lógica de remuneração pressupõe uma cadeia de vendas antiquada, rebate o presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini. "É uma conta de 1960. As farmácias hoje têm custos que não foram considerados, como o de ficar aberta 24 horas."

A proposta inicial do governo não é homogênea: há produtos cujos preços cairiam 60%, outros, 12%. Para os executivos, uma solução possível seria ter um pacote menor de medicamentos.

Fonte: Folha On-Line